
Ikigai (propósito de vida / 生き甲斐)
Na cultura japonesa o conceito (ou filosofia?) de ikigai revive hoje para tentar apaziguar a correria dos tempos modernos.
Com raízes que nos levam desde a Era Heian (794 a 1185), iki significa vida e gai/kai sugere valor. A psiquiatra Mieko Kamiya valorizou este conceito ao escrever o livro Ikigai Ni Tsuite (Sobre Ikigai), em 1966. A palavra indica algo como a alegria que te faz viver, seja ela emocional ou material. E trazendo ao contexto do mundo japonês, teria uma forte ligação com o trabalho e a vida do dia a dia, cuja soma destes pequenos atos, resultam em uma vida plena. Aos nossos olhos ocidentais, ikigai analisa o propósito das pessoas, tendo a certeza que você está tendo uma vida equilibrada em todos os sentidos.
Este conceito foi trazido ao ocidente em 2005 por Dan Buettner. Ele fazia parte de um artigo para a National Geographics chamado Secrets of Long Life (Os Segredos Para Uma Vida Longa). O termo chamou tanta atenção que com o passar do tempo foi transformado em um gráfico (em inglês, logo abaixo) que facilita a visualização das áreas caras aos japoneses.
Esse gráfico nos faz pensar um bocado na vida, não é mesmo? – às vezes, o design funciona para o bem.
Por outro lado, os japoneses não enxergam tamanha sofisticação para o ikigai. E foi a falta do contexto na hora de contar a história da palavra que me fez escrever este texto. Porque ikigai não é algo consciente e lógico. Ele é a soma de uma bagagem cultural no qual o trabalho árduo foi cultivado, a comunidade é relevante (e muitas vezes vem em primeiro lugar) e práticas religiosas/filosóficas que desviam de uma verdade absoluta para tudo, existem.
Enquanto isso, deste lado do planeta, o contraste é grande. Valorizamos ser o primeiro, melhor e maior. O mote dado ao ator James Dean foi ícone de uma geração de artistas (tomados como modelos) que representam bem uma era: “Live fast, die young (…)” (viva rápido e morra jovem). Você conheceu alguém nos últimos tempos que sofreu um burnout? Ou depressão? Crise da meia-idade? Pois a maturidade do pensamento importa e preparar nossa mente para viver uma longa vida, de forma sustentável ao ego (como agente), faz a diferença.
Claro, sabemos que na vida real estamos amarrados em responsabilidades e complicações que podem limitar nossas ações. Mas a reflexão e o começar vagaroso de uma mudança pode surgir em algum momento oportuno e refletir por gerações.
Ikigai não é uma promessa ou uma verdade. Ele é flexível, não descriminando o bom do mau. E por isso, no ocidente, ikigai virou um produto cuja fórmula promete felicidade. Para os jovens japoneses, ikigai é quase um amuleto, no qual todos os sonhos são depositados. Enquanto para os idosos do país, ikigai é fazer as pequenas coisas todos os dias, se mantendo ocupado e se cuidando – e ao fim, uma vida de mais de 100 anos felizes se passou, sem se perceber!
Wu wei
Encontrei um vídeo para auxiliar o entendimento do viver a vida baseada em filosofias orientais, cuja linguagem simples, ajuda a sua compreensão geral – ele possui legenda em inglês que pode ser configurada com tradução automática para o português.
E maiores explicações sobre o tema do vídeo, merecem outras mil postagens! Mas já é um bom começo para hoje!