
França, com amor…
É difícil explicar a relação que eu estabeleci com a França. A vontade de visitar esse país já existia desde muitos anos e ela quase se concretizou há exatos 10 anos atrás. Mas o destino foi muito sábio e me mandou pra São Bento do Sapucaí ao invés de Paris, e tudo bem… a vontade de conhecer a terra da pâtisserie perdeu intensidade diante da vida feliz que encontrei aqui.
Nestes últimos anos, tantas coisas mudaram que com a oportunidade de finalmente visitar a França no ano passado, percebi que tudo o que eu tinha sonhado em ver por lá havia mudado drasticamente – para se ter idéia, nem vi a Torre Eiffel!
Quando a gente faz da escalada um estilo de vida, a primeira pergunta quanto viajamos é… tem escalada lá? E aqui em casa, a segunda pergunta é, tem cultura gastronômica nessa região? Se uma das respostas for negativa, grandes são as chances de deixarmos pra depois. Felizmente, foram dois sims para Fontainebleau, principal destino dessa viagem.
Esta postagem não será um relato de viagem, já aviso e me desculpo se vocês estão com essa expectativa. Mas como tive vivências muito únicas ali, quis repassar algumas singelas dicas para quem gosta do que eu gosto: chá, mato e comida – não necessariamente nesta ordem.
A Floresta de Fontainebleau
Escolhemos Fontainebleau como destino principal na França pois praticamos a modalidade de escalada chamada Boulder (que consiste em escalar blocos de pedras). Ali, é um dos berços da modalidade e em um mês na região, praticamente não repetimos os mesmos setores de escalada – para se ter idéia da imensidão do lugar.

A floresta é extremamente mágica e generosa… por todos lugares que passávamos, bolotas de carvalhos forravam o chão, assim como castanhas portuguesas.

Visitamos setores bem isolados e também os bem populares, de fácil acesso. Seja qual for o nível de visitação, um grande atrativo foi acompanhar a caça aos cogumelos. A variedade é grande e você tem de saber qual é comestível, certamente, mas não era difícil ver famílias nessa atividade, e até profissionais, com cachorros e caixas térmicas, totalmente forradas dessas gostosuras!

Mas o que interesava ali mesmo é a escalada, que super recomendo pois me diverti até não poder mais!

A gente não quer só comida…
De alguns momentos épicos que passei em minha vida, a ida ao Carrefour “de bairro” da Villiers en Bière foi certamente, marcante. Após 4 horas querendo comprar tudo o que havia lá, fomos expulsos pelo segurança do mercado pois passava da hora de fechamento.
A dica aqui é explorar os mercados da região pois tudo é muito “barato”, a média de preços de produtos básicos não passou de 3 euros, a maioria na casa do 1 euro. Compramos diversos vinhos considerados bons nessa faixa de preço (vide instagram do marido). E imagine comprar uma boa manteiga francesa por apenas 5 reais sendo que aqui passa de R$14?!
Chás!
Visitei algumas lojas clássicas de chás mas, a que eu realmente gostaria de indicar, é a loja local Thés de Chine, do especialista Vivien Messavant (cujo nome original é Yun Jing Zhong). Em 1992, ele começou a importar chás taiwaneses e chineses para o público francês, sendo o pioneiro neste mercado.
O motivo desta indicação é bem simples: atendimento impecável, produtos de qualidade e preços justos. Vivien me atendeu muito bem, mesmo com a barreira da língua francesa entre nós, e conseguiu me apresentar seus chás, fazer indicações e esbajar conhecimento e gentileza. Vocês podem buscar mais informações online mas já aviso que o forte deles é o atendimento presencial – passando em Paris, deixe um tempo reservado.
Uma coisa que me deixa encantada é a consciência desenvolvida pelos países mais antigos. Um grande exemplo disto é o fato da legislação da França permitir o uso de 145 infusões que podem ser vendidas livremente em mercados e lojas, com suas indicações medicinais. Isso prova que existe o bom senso… senti bastante inveja deles mas fiquei bem esperaçosa sobre nosso mercado, quem sabe um dia?

Existem lugares que nós visitamos e levamos grandes recordações… e existem lugares nos quais deixamos um pedacinho do nosso coração. Na terra gaulesa foi assim… amor eterno à manteiga fracesa!
A bientot, França…

2 COMENTÁRIOS
Amei seu blog!!
Uma curiosidade, essa xícara de chá, ao lado dela são saquinhos de sabonetes??
Oi, Lurdes!
São docinhos franceses chamados Calisson! 😋
Saudações,
Yuri